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Dia Internacional da Biodiversidade: Cerca de 80% da biodiversidade mundial encontra-se em Terras Indígenas

No Dia Internacional da Biodiversidade, é importante ressaltar o papel fundamental dos povos indígenas na conservação e gestão da biodiversidade em todo o mundo. Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), cerca de 80% da biodiversidade mundial encontra-se em terras indígenas e comunidades locais, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Os povos indígenas possuem conhecimentos tradicionais, práticas sustentáveis e sistemas de governança que têm sido essenciais na preservação da biodiversidade em seus territórios. Estima-se que eles detenham conhecimentos sobre o uso de aproximadamente 20.000 espécies de plantas medicinais, o que representa cerca de 80% do abastecimento global de medicamentos à base de plantas.

Dados científicos de diversos órgãos demonstram que as taxas de desmatamento nas Terras Indígenas (TIs) da Amazônia são consideravelmente mais baixas em comparação com áreas adjacentes. As taxas de desmatamento em TIs chegam a ser até 2,5 vezes menores do que em outras áreas protegidas da região.

Esses números evidenciam a importância de reconhecer e fortalecer os direitos dos povos indígenas sobre suas terras e recursos naturais, garantindo sua participação ativa na tomada de decisões relacionadas à conservação e gestão da biodiversidade. Além disso, é fundamental promover a valorização e o respeito aos conhecimentos tradicionais indígenas, que desempenham um papel essencial na preservação da diversidade biológica e na busca por um desenvolvimento sustentável.

Fonte: FNPI

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) reconhece o conhecimento tradicional indígena como uma ferramenta importante para a adaptação às mudanças climáticas. Os povos indígenas desenvolvem estratégias sustentáveis de subsistência e contribuem para a conservação da biodiversidade em seus territórios.

Na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Coordenação Geral de Gestão Ambiental (CGGAM) é responsável por desenvolver programas, projetos e ações de gestão territorial e ambiental das terras indígenas, em conformidade com a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Além disso, a Funai acompanha e influencia políticas ambientais implementadas por outros órgãos e instituições que afetam os povos indígenas e suas terras.

A PNGATI foi construída com a participação ativa dos povos indígenas, reconhecendo e apoiando suas práticas de gestão ambiental e territorial em suas terras. Através de um Comitê Gestor, que promove a governança participativa, essa política pública cria um espaço de diálogo e oportunidades para que os povos indígenas e o Estado trabalhem juntos em busca de objetivos comuns. Essa colaboração busca enfrentar as dificuldades e desafios atuais na gestão dos territórios indígenas e dos recursos naturais, além de valorizar e reconhecer seus modos de vida.

Fonte: By GreenView


Conservar a biodiversidade e envolver os povos indígenas em projetos de conservação e uso sustentável das florestas são temas essenciais discutidos entre as lideranças indígenas e representantes do poder público no contexto da PNGATI. Se você deseja obter mais informações sobre a PNGATI, recomendamos acessar a publicação “Entendendo a PNGATI”.

A preservação da biodiversidade nas terras indígenas está diretamente relacionada ao conhecimento ecológico adquirido por esses povos ao longo de séculos e milênios de convivência e interação com o ambiente em que vivem. Os povos indígenas possuem uma compreensão profunda dos ciclos naturais, dos habitats locais e das espécies presentes em suas terras. Além disso, eles têm direitos garantidos por legislação específica que abrange o acesso e a proteção dos conhecimentos tradicionais associados ao patrimônio genético existente nos diversos biomas e ecossistemas brasileiros. Por essa razão, eles são reconhecidos como guardiões da biodiversidade, juntamente com povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Os conhecimentos e saberes indígenas são gerados e preservados por meio de complexas redes sociais de trocas internas e entre diferentes povos, sendo transmitidos oralmente de geração em geração. Esse processo histórico de gestão e uso sustentável dos recursos naturais contribui para a conservação da biodiversidade. Vale destacar as práticas indígenas de agricultura tradicional, que utilizam técnicas agrícolas de baixo impacto, como a rotação de culturas e o cultivo em pequena escala. Essas práticas contribuem para a preservação da diversidade genética das plantas cultivadas e a proteção dos ecossistemas.