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‘Maioria do Alto Comando torcia para que desse certo’, diz Flávio Dino sobre 8/1

Em uma entrevista concedida à revista Veja, o Ministro da Justiça, Flávio Dino, revelou que havia uma parcela significativa do Alto Comando do Exército que manifestava apoio à tentativa de golpe de Estado levantada por seguidores de Bolsonaro em 8 de janeiro de 2023. Dino compartilhou os bastidores daquele dia e expressou sua indignação com os militares que alimentavam tendências antidemocráticas.

Durante os eventos, ocorreu um confronto entre Dino e os militares após os atos de destruição em Brasília. O ministro relatou que, pessoalmente, dirigiu-se ao quartel do Exército com o objetivo de ordenar a prisão de todos os acampados e, nesse momento, presenciou a passagem de tanques por uma pequena rua.

Fonte: UOL

De acordo com o ministro, aquele acontecimento foi a confirmação da existência de uma facção golpista dentro do Exército. “Se havia alguma incerteza sobre a ocorrência de um golpe, ela desapareceu naquele momento. A maioria do Alto Comando ansiava pelo sucesso da insurreição.” Durante uma discussão acalorada com um general, Dino revelou que deu instruções ao comandante do Exército para prender os conspiradores acampados, porém o militar “tentou desafiar” o ministro e opôs-se às detenções.

No meio dessa discussão, outro general interveio e destacou que a polícia nunca havia adentrado o quartel para efetuar prisões. Isso é uma evidência incontestável de que havia uma simpatia nas Forças Armadas por uma mudança de rumo. O Exército encontrava-se dividido entre bolsonaristas golpistas e bolsonaristas que seguiam a legalidade, mas sempre com uma inclinação para o presidente Bolsonaro.

Fonte: DCM

Por fim, o ministro destacou que houve um consenso em relação à realização das prisões dos golpistas no dia seguinte, após os eventos ocorridos em 8 de janeiro. Na manhã do dia 9 de janeiro, aproximadamente 1.500 seguidores de Bolsonaro que estavam acampados em frente ao quartel-general do Exército em Brasília foram detidos e encaminhados à prisão. Passados seis meses desde o incidente, Flávio Dino reflete sobre a decisão de aguardar para efetuar as prisões no dia seguinte, considerando-a a ação correta.

“Caso fosse diferente, poderia ser perigoso tanto para as pessoas envolvidas quanto para a própria democracia. Imaginem a polícia militar de um lado e o Exército do outro.” Atualmente, mais de 1.200 pessoas estão enfrentando processos legais, e cerca de 250 delas estão detidas. Os danos causados aos cofres públicos em decorrência da destruição das sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto somam pelo menos R$ 20 milhões.

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