Pular para o conteúdo
Início » Notícias » OPAS faz chamado para que o Brasil se torne uma nação livre do tabaco até 2030 no Dia Mundial Sem Tabaco

OPAS faz chamado para que o Brasil se torne uma nação livre do tabaco até 2030 no Dia Mundial Sem Tabaco

Brasília, 1 de junho de 2023 (OPAS) – Em comemoração ao Dia Mundial Sem Tabaco, a representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Socorro Gross, participou de eventos que ressaltam a importância do tema no país. Além de destacar a campanha deste ano, intitulada “Cultive alimentos, não tabaco”, a representante fez um apelo para que o Brasil se torne uma nação livre do tabaco até 2030, abordando-o como um problema de saúde pública, assim como a fome e a má-nutrição.

Durante o evento promovido pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Rio de Janeiro, na quarta-feira (31/05), Socorro Gross enfatizou a necessidade de combater o tabaco, que causa um número alarmante de mortes no Brasil: “É muito triste saber que perdemos pelo menos 440 pessoas por dia no país devido a doenças relacionadas ao tabaco”.

Estima-se que 20 milhões de pessoas consumam tabaco diariamente no Brasil. Nas Américas, o tabagismo é responsável por 15% das mortes por doenças cardiovasculares, 24% por câncer e 45% por doenças respiratórias crônicas. Globalmente, o tabaco tira a vida de aproximadamente 8 milhões de pessoas a cada ano, sendo mais de 7 milhões de fumantes ativos e mais de 1 milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo.

Fonte: OPAS

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, ressaltou a importância deste momento para recuperar as políticas de enfrentamento do tabaco durante uma transmissão online. Ela enfatizou o papel fundamental do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) na liderança de uma agenda efetiva que coloque as ações de controle do tabagismo como prioridade para promover a saúde e prevenir uma série de doenças relacionadas ao consumo do tabaco.

Nesse contexto, Marinelson Batista da Silva, diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, anunciou a retomada do Programa Nacional de Diversificação de Áreas Cultivadas com Tabaco. Esse programa, com base nos artigos 17 e 18 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), apoiará o país na luta contra a insegurança alimentar e o controle do tabaco. O CQCT é um tratado internacional de saúde pública da OMS que estabelece medidas para combater o tabagismo, do qual o Brasil é signatário.

Além disso, a Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco e seus Protocolos (Conicq) será retomada, e Vera Luiza da Costa e Silva foi anunciada como responsável pela Secretaria Executiva dessa comissão.

Fonte: CP


Durante o evento, Roberto de Almeida Gil, diretor-geral do INCA, enfatizou a importância de garantir o aumento das áreas de cultivo de alimentos para enfrentar a insegurança alimentar. Ele ressaltou que o Brasil voltou a enfrentar problemas de fome, com um aumento significativo da insegurança alimentar na população. Segundo ele, em 2022, a taxa de insegurança alimentar grave atingiu 15,2%, o que é extremamente preocupante.

Globalmente, 349 milhões de pessoas em 79 países enfrentam insegurança alimentar aguda, uma situação sem precedentes. Uma característica comum entre os países mais afetados é a destinação de grandes extensões de terras férteis para o cultivo de tabaco, em detrimento da produção de alimentos saudáveis.

Diante disso, a campanha da OPAS/OMS faz um chamado à ação, tanto para governos quanto para a sociedade, com o objetivo de acabar com os subsídios ao cultivo de tabaco e redirecionar os recursos para programas de substituição de cultivos que ajudem os agricultores a fazer a transição e a promover a segurança alimentar e nutricional.

A campanha também destaca a importância de conscientizar as comunidades envolvidas no cultivo do tabaco sobre os benefícios de substituí-lo por culturas sustentáveis. Além disso, denuncia as manobras da indústria do tabaco, que criam obstáculos para o trabalho em prol de meios de subsistência sustentáveis.