Pular para o conteúdo
Início » Notícias » Um Novo Processo de Depuração na Política: Mais um Capítulo de Transparência

Um Novo Processo de Depuração na Política: Mais um Capítulo de Transparência


Um Novo Capítulo de Depuração na Política Brasileira: O Caminho para a Redemocratização

Nosso país testemunhou ao longo dos anos diversos processos de depuração política. Um dos mais significativos ocorreu com o término da ditadura militar, que persistiu por 21 anos, contando, infelizmente, com o apoio comprometido ou covarde de grande parte de nosso Parlamento. Esse momento crucial se deu em 15 de janeiro de 1985, quando ocorreu a eleição, pelo Congresso Nacional, de Tancredo de Almeida Neves como Presidente da República, após o fracasso da emenda Dante de Oliveira, que pleiteava eleições diretas. É com imensa honra que recordo Tancredo, meu conterrâneo.

Tancredo foi eleito com 480 votos, contra 180 dados a seu adversário, Paulo Maluf, além de 26 abstenções. No entanto, foi em 5 de outubro de 1988, uma data que jamais deve ser esquecida, com a promulgação de nossa Constituição Cidadã, que plantamos, de forma definitiva, em solo brasileiro descoberto por Pedro Álvares Cabral, os alicerces de uma Nação Democrática. Essa Constituição, um símbolo de extrema importância, foi arquitetada por Ulysses Guimarães e representa o ápice do processo de redemocratização nacional em todos os aspectos.

Fonte: otempo

A Defesa da Democracia e a Condenação do Autoritarismo

Recordo-me vividamente, caro leitor, das palavras proferidas por Ulysses Guimarães em seu discurso memorável. Vamos relembrar alguns trechos: “Nesta sala, ecoam as demandas das ruas. A Nação deseja mudança. A Nação nos enviou para realizar um serviço. Fizemos isso com amor, dedicação e sem medo. A Constituição certamente não é perfeita. Ela mesma admite a necessidade de reformas. Discordar dela, sim. Divergir, sim. Descumpri-la, jamais. Desafiá-la, nunca. O traidor da Constituição é traidor da pátria. Conhecemos o caminho amaldiçoado. Rasgar a Constituição, fechar as portas do parlamento, sufocar a liberdade, enviar os patriotas para a prisão, o exílio e o cemitério”.

Fonte: Wiki

Foi exatamente isso, nas palavras finais do discurso de Ulysses Guimarães, o que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro tentou fazer. Durante seus quatro anos de mandato, ele não governou. Em sua pregação sistemática e diária contra as urnas eleitorais, ele não apenas sonhou, mas tentou desacreditar nossas instituições democráticas com o objetivo de miná-las, claramente buscando a implantação de um governo autoritário, que começaria com intervenções, em primeiro lugar, no Superior Tribunal Eleitoral (TSE) e, em seguida, especialmente no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional.

Sua condenação pelo TSE revelou a tentativa de um golpe de Estado. Foi a ministra Cármem Lúcia, mineira assim como Tancredo, quem finalmente selou a inelegibilidade do suposto golpista, que jamais contou com o apoio dos comandantes de nossas Forças Armadas. Na verdade, a inelegibilidade por oito anos foi uma punição tardia e modesta. Sua condenação deveria ter ocorrido há pelo menos 30 anos, quando era deputado federal e usava seu mandato para exaltar a ditadura e/ou homenagear pelo menos um de seus torturadores.